Engel RPG

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Engel RPG
Autores: Oliver Graute, Olvier Hoffman, Kai Meyer.
Páginas: 272
Ano: 2002
ISBN: 1-58846-123-8

O ano é 2653, o apocalipse cristão chegou e a Terra está devastada graças às pragas bíblicas e ao segundo Dilúvio. O que restou da sociedade se degenerou em uma nova Idade das Trevas, com tribos bárbaras lutando entre si por sobrevivência. Até que, em meio ao caos, surge a “Igreja Angelical”, liderada pelo Potifex Maximus que instaura o sistema neo feudal. Junto da Igreja, surgem os Engel – seres enviados pelo Senhor para combater o caos e ajudar a humanidade a se redimir, provando ser digna de uma nova chance.

Os Engel vivem em catedrais gigantescas chamadas “Himmel”, tão altas que atingem as nuvens. Todos sem exceção têm o aspecto de crianças ou adolescentes. E ao redor dos Himmel, é normal surgirem vilarejos com famílias de camponeses em busca de proteção. Existem cincos “Himmel” espalhados pela Europa, cada um para cada ordem de Engel: Gabrielitas (guerra), Urielitas (conhecimento), Michaelitas (empatia social), etc.

A alta tecnologia dos velhos tempos é proibida pela igreja, mas vários senhores feudais a utilizam, mesmo tendo perdido o conhecimento para reproduzi-la e por isso cada artefato tecnológico é altamente valioso. Esses hereges são motivos de cruzadas, além de serem caçados e punidos pelos Engel, assim como as estranhas aberrações que surgem nas proximidades dos chamados Infernos – misteriosos pilares de fogo em terras longínquas, que segundo boatos dos vilarejos remotos, se locomovem vagarosamente deixando devastação e deformação pelo caminho. Esses Infernos, dizem, são obras do “Lord of the Flies” do velho testamento e a Igreja incumbe os Engel de investigar os mesmos.

O cenário aborda dois temas interessantes: sobrevivência e reconstrução da civilização em um ambiente inóspito e o questionamento de dogmas religiosos. Há um tom de conspiração que permeia todo o cenário: teria a Terra passado realmente por um dilúvio divino, ou seria uma outra causa? Estaria a Igreja realmente levando a vontade divina, ou apenas manipulando o povo para seus interesses? Seriam os Engels realmente anjos do Senhor? Se não, então o quê são eles e como explicar seus dons e poderes? Se sim, estariam eles fazendo realmente a vontade do Senhor ao obedecerem à Igreja? E por que não há nenhum Engel adulto? Por que mesmo os jovens, quando se aproximam da fase adulta, desaparecem da face da terra? A resposta pra todas essas perguntas é respondida no próprio livro, mas o livro deixa claro que é apenas para o mestre.

Agora existe um detalhe: É tudo mentira! Não houve pragas bíblicas, mas sim doenças mundanas. O Segundo Dilúvio foi apenas o derretimento das calotas polares. O clima, a fauna e flora estão toda alterada por causa das catástrofes causadas pelo próprio ser humano. Não existem anjos de verdade, a Igreja não tem nada de divino. Ela é apenas o único retentor da alta tecnologia de eras passadas, por isso bolou essa parada de religião, anjos, deus, para manter seu controle sobre o mundo.

Os Engels são adolescentes criados com nanotecnologia, que são vítimas de lavagem cerebral cujo efeito começa a passar no fim da puberdade. Eles são monitorados 24 horas por dia pela Igreja, daí quando atingem a maturidade são chamados pelo Senhor para voltar ao céu. No alto das nuvens, no topo da sede da igreja, em Roma, estão os “portões do céu”, que é uma grande fornalha. O Engel é enganado, dizem para ele que a sua missão está cumprida e que esse “Portal de fogo” é o último passo para lhe purificar das impurezas do convívio aqui na Terra, por fim, o Engel é incinerado.

O problema é que alguns Engels não resistem às tentações e pensamentos mundanos e fogem; confusos e procurando saber a verdade sobre si – nessa fase seus sentimentos humanos já estão incontroláveis, além de surgir desejos sexuais, o que lhes causa um enorme conflito interior. Quando descobrem parte da verdade se sentem traídos, tornado-se “anjos rebeldes”, combatendo assim secretamente a Igreja.

A única coisa que o livro deixa em aberto são os “infernos” e suas deformidades, assim como seu líder – The Lord of the Flies. Essa parte do metaplot ficou relegada a outro suplemento que a White Wolf nunca lançou. De qualquer forma, o livro parece deixar no ar duas possibilidades:

1 – Os “Infernos” nada mais seriam do que explosões nucleares/nano tóxicas que contaminam a região onde explodem, vindos provavelmente de alguma inteligência artificial ou não ainda operante em algum lugar do espaço ou em alguma região longínqua da Terra.

2 – Os “Infernos” e o Lord of the Flies são verdadeiros. Toda a Terra na verdade já foi abandonada há muito tempo pelo criador – se é que existiu um algum dia -, e o “Bem” é uma farsa, mas o Mal é real.

O único ponto fraco do jogo: o sistema. A única versão em inglês é da White Wolf lançada em 2002 (o original é alemão). A White Wolf preferiu não usar o sistema original de cartas de tarôt (igual ao Everway e ao Falkenstein) e substituíram por d20. O sistema adotado não retrata nem um pouco as características da ambientação, o sistema d20 poderia pelo menos ter sido alterado em algum ponto para adequar-se ao cenário (igual à Mutants & Masterminds e ao Spycraft), resultado: não vendeu. Os fãs do sistema d20 não compraram provavelmente porque acharam o cenário bizarro demais, e os fãs de RPGs “alternativos” (Everway e Nobilis) não compraram por causa do sistema d20.

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